terça-feira, 20 de março de 2012

ÉLON BRASIL - nas telas, povos da floresta



Nas telas, povos da floresta

Conviver com índios, com tribos africanas e com os encantamentos do candomblé, acrescentou ao artista plástico Élon Brasil uma sabedoria intrínseca para eternizar, em suas telas, hábitos, situações e emoções que caracterizam cada uma dessas culturas.

MARIA LUIZA BRANDALIZE

Diante de uma tela de Élon Brasil é fácil entender sua fascinação pelo nosso índio. A beleza é evidente. E englobam a obra e seus personagens, seus objetos. Pesquisar a majestade do homem primitivo é uma experiência que esse artista autodidata iniciou em 1980, quando conheceu os primeiros Xavantes, em Goiás.
Fascinado por sua pureza e espiritualidade, oito anos depois passou a retratá-los, o que levou o francês Alain Veille, enólogo e colecionador de obras de arte, a procurá-lo. Esse encontro significou a venda de algumas telas que cruzaram mares e o convite para representar o Brasil, no ano 2000, na França, em uma exposição de trabalhos voltados a assuntos indígenas. 

Nada mais justo.  E em torno dessa temática que o disciplinado pintor trabalha cerca de 17 horas seguidas, entre dia-sai-dia, para produzir de sete a oito telas por mês. Usa tinta à óleo sobre lona previamente preparada com relevos, pelo irmão em seu atelier.

ARTE ANUNCIADA – Em 1957, na praia de Jurujuba, Niterói, nascia mais uma criança na casa de Milton Brasil, descendente de europeus. Era o quarto bebê, mas a mãe, baiana de Itapuã, neta de índio com negro, ainda teria mais sete. O pai também artista plástico de cavalete e pincel  levou o garotinho para as artes. Incentivado, tanto em casa como na escola, Élon, aos seis anos, já caprichava no uso do crayon. Quando a família mudou-se para São Paulo, o menino, com oito anos, tornou-se um dos pioneiros ambulantes da antiga feira da República, e já vendia seus quadros, que retratavam ao lado urbano e social do brasileiro.  As favelas da cidade grande, a fome dos carentes. A primeira medalha com direito ao prêmio de aquisição foi conquistada pelo adolescente aos 12 anos na II Pinarte de Pinheiros, em 1971, com o óleo sobre tela Seca do Nordeste.
Depois de viajar por temas místicos e na simbologia esotérica, voltou-se para o índio, quando visitou os Xavantes. Daí partiu para Salvador à procura de suas origens maternas. Inspirou-se no pelourinho baiano, pintou a religiosidade afro-brasileira e os orixás. A partir daí adotou o negro e o índio como temas e entregou-se, prazerosamente, a pesquisar seus encantamentos.

NA TABA E NA ÁFRICA – convivendo dois com os Tucanos, a 250 km de Manaus, comeu carne de macaco para sobreviver, dormiu em rede, pescou, construiu canoas, plantou, colheu, aprendeu os segredos do cipó “timbó” e, principalmente, registrou cenas e mais cenas, expressões e emoções diversas em croquis que, ainda hoje, lhe servem como referências.

Visitar seu atelier, e olhar suas obras, é entrar nesse mundo de cores escuras e belas, é sentir a fascinação que cerca esse povo.

Conheceu Tuparis e Ticunas, também na Amazônia. Mas ainda não lhe bastou. Prepara uma viagem ainda este ano (1998): vai ao Xingu participar do Kuarup,  ritual indígena que homenageia os mortos. Uma festa, que segundo o artista, promete ser fascinante para seu arquivo interior e para as imagens que ainda pretende eternizar em telas.

Em 97 passou 50 dias na África, mas precisamente em Benin e Togo. Outra fascinação.  Trouxe um arquivo de 300 fotos e uma grande carga de energia positiva, que lhe garante manejar o pincel por horas  a fio para representar, ao seu modo, um traço de apreensão ou um sinal de contentamento, que a sua câmera registrou, com precisão, no meio do povo agressivo, mas pictoricamente rico, desde o olhar enigmático das crianças, até a beleza exuberante da mulher negra, sensual e bonita.

Além do curriculum de Élon registrar diversas exposições no Brasil (São Paulo, Bahia e Santa Catarina), suas obras já foram exibidas em Toronto, no Canadá;  diversas vezes na Suíça, nas cidades de Berna e Basiléia, onde Rolf Walther é seu marchand; e em Bruxelas,  na Bélgica. Além de freqüentar acervos particulares, o artista está representado também no Museum Der Kulturen Basel, Basiléia, Suíça; Museu de Arte de Londrina, PR; Museu do Banco do estado de São Paulo  e no Museu da Imagem e do Som, São Paulo, SP.

O Estado de São Paulo, domingo 17 de Fevereiro de 1998, Suplemento Feminino

Em 1970, juntamente com os artista Aldemir Martins, Clóvis Graciano e Carlos Scliar, Élon ilustrou o livro de poesias Cantando os Gols, de Tito Battine.

Hoje, sua obra figurativa e abstrata é composta por imagens da terra: índios, negros e caboclos, cercados por textura e cores marcantes. Sua temática busca ressaltar e preservar a cultura brasileira e suas próprias raízes.

Filho de baianos - mãe negra, neta de índios, e pai (o artista Milton Brasil), neto de imigrantes italianos e portugueses - Élon resgata em sua história e origem, a fonte de inspiração . Ao morar na Suíça por seis meses, obteve a oportunidade de expôr o seu trabalho em diversas ocasiões, tornando-se conhecido internacionalmente, principalmente com encomendas para colecionadores europeus.
Possui obras nos seguintes acervos

Desde 1994, faz parte do acervo da 
Manolo Saez Galeria de Arte - Curitiba - PR. Brasil
Museums der Kulturen Basel o Basiléia-Suíça
Museu da Imagem e do Som o São Paulo-SP
Museu do Banco do Estado de São Paulo
Museu de Arte de Londrina-PR

Exposições individuais
1993 - Banco Central o São Paulo-Brasil
1993 - Banco Central o São Paulo-Brasil
1993 - Museu da Cultura/PUC o São Paulo-Brasil
1993 - Galeria Arcartes o Toronto-Canadá
1993 - Galeria Goetz o Basiléia-Suíça
1993 - Galeria ACBEU o Bahia-Brasil
1995 - Hotel Tropical o Bahia-Brasil
1995 - Galeria Goetz o Basiléia-Suíça
1995 - Golf Hotel o Berna-Suíça
1996 - Banco SLK o Bruxelas-Bélgica
1997 - Museu de Etnologia o Basiléia-Suíça
1998 - Centro Holístico de Educação e Vivência o São Paulo-Brasil
1998 - Espaço Cultural Banespa o São Paulo-Brasil
1998 - Brasil 500 anos-MASP o São Paulo-Brasil
1998 - Galeria Caribé o São Paulo-Brasil
1999 - Parque das Ruínas o Rio de Janeiro-Brasil
2005 - Brazilian Embassy, London, UK
2006 - Eton College, UK


2 comentários:

  1. Arte belicima.Pois só um menino da terra de todas as cores prevaleci,e nos da orgulho.

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  2. blog mau feito...poucas informações contextos vazios e imagens grandes sem poder visualizar as escritas.

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